domingo, 27 de abril de 2008

A Fortaleza de S. Sebastião

Na ponta norte da Ilha ergue-se a Fortaleza de S. Sebastião. A sua construção decorreu na segunda metade do século XVI (há notícias de que em 1583, apesar de ainda não estar concluída, foi guarnecida com um destacamento comandado por Nuno Velho Pereira) e teve em vista proteger e dar apoio às naus que por aqui passavam indo ou voltando do Oriente - a chamada Carreira das Indias. É considerada, dentro da arquitectura militar portuguesa, como a construção mais representativa na África oriental. Tem uma planta de formato rectangular com quatro baluartes (Sta. Bárbara, São Gabriel, Nossa Senhora e São João) e as suas muralhas, à excepção da face sul, que está voltada para terra, estão voltadas para o mar. No seu interior, para além dos quartéis para as tropas, a fortaleza dispunha de hospital, capela, armazéns e cisternas (a cobertura das diversas instalações estava disposta de modo a recolher e encaminhar para estas a água da chuva).
Dentro do perímetro da fortaleza encontra-se, edificada em 1522, a Capela de Nossa Senhora do Baluarte, única construção no estilo manuelino existente em Moçambique. Os materiais com que foi construída vieram de Portugal e provavelmente destinavam-se à India. É considerada como a construção colonial mais antiga de toda a costa do Indico.
A caminho da entrada
A entradaAspecto da muralha e canhões "espreitando"...Até aqui parece tudo estar bem, mas repare-se na vegetação que se desenvolve nesta muralha......entrando...
...um pouco de cal e uma capinadela (capinar - termo moçambicano que significa arrancar ervas) não melhorariam o aspecto?
Ao centro a Igreja de S. Sebastião Interior da igreja!
Subindo às muralhas uma vista das traseiras da igreja de S. Sebastião e do arco por onde passa a água das chuvas para uma das cisternasEm primeiro plano os telhados preparados para a recolha da água das chuvas e, mais à frente, a Igreja

Uma das cisternas. Antes da construção da ponte que a liga ao continente o abastecimento de água à Ilha era feito a partir de diversas cisternas que, quando a água da chuva era insuficiente, eram também abastecidas com água vinda em barcos!... (quando tinha uns 12...13 anos, andava então na Mocidade Portuguesa, estive "acantonado" na fortaleza cerca de uma semana, o calor era muito e de noite, à socapa, vínhamos tomar umas banhocas numa destas cisternas... agora já se pode confessar, o "crime" já caducou).Ainda no cimo das muralhas....Mais ou menos do sítio da foto anterior uma vista para a capela de Nossa Senhora do Baluarte, restaurada em 1996, penso que com fundos da Comissão Nacional dos Descobrimentos e da Fundação Calouste Gulbenkian......de mais perto já se nota a necessidade de uma de mão de cal......a entrada...O tecto e o altar...A saídaSaindo para o alpendre (só no século XVII, como nas igrejas da India, o alpendre foi construído) o púlpito vandalizado!...

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segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Palácio dos Capitães-Generais

No Largo de S. Paulo situa-se o Palácio dos Capitães-Generais, também conhecido como Palácio de S. Paulo ou Palácio do Governador. Construído em 1610 para ser o Colégio dos Jesuítas, foi destruído por um incendio em 1670 e reconstruído em 1674. Com a expulsão dos jesuítas, o palácio foi em 1759 transformado na residência do Governador Geral (ou Capitão-General, daí o seu nome), funções que manteve até 1898 quando a capital da então colónia passou a ser Lourenço Marques (actual Maputo). Passou depois a ser residência do Governador do distrito de Moçambique, até 1935, altura em que a capital do distrito foi mudada para Nampula. Entrou depois em decadência, até que a partir de 1956 passou a receber o presidente de Portugal, seus ministros e outros visitantes ilustres.
Actualmente no palácio funcionam dois museus: no rés do chão é o Museu da Marinha e no 1º andar (antiga residência) o Museu-Palácio de S. Paulo (artes decorativas), neste se encontra exposta, entre outros "artigos" de interesse, uma das maiores colecções do mundo de mobiliário indo-português. Anexa ao palácio a pequena, mas rica, igreja de S. Paulo.
Este conjunto (palácio, museu, igreja) está bastante bem cuidado (é a excepção ao que refiro num outro post), ...mas já estava assim há quatro anos.
O Largo de S. Paulo, Vasco da Gama, o palácio e a igreja
O "átrio"Os dois candeeiros, a meio das escadasDurante a visita ao museu não me autorizaram fotografar, pelo que as cinco fotos que mostro a seguir são as que tirei há quatro anos... mas não há diferenças significativas.
Sala de jantar
Cozinha
Mobiliário indo-português (aquando desta minha última visita o balde já lá não estava...)
Relativamente a esta poltrona de palhinha (ou outra semelhante que aqui estava) contaram-me (confirmei depois esse "acontecimento" algures na Net) que em 1975, quando Samora Machel aqui dormiu (o quarto fica à esquerda) a caminho da capital, um seu guarda-costas sentou-se e "rebentou" com a poltrona, o que terá depois levado a que fosse decretada a transformação do palácio em museu, para assim se preservar o seu rico recheio.
Na igreja já era permitido tirar fotos. Eis a maravilhosa igreja de S. Paulo!Quer o retábulo (dourado), quer o púlpito (madeira policromada) são obras executadas na India no século XVII. Lindíssimas!
O retábulo
Pormenor do retábulo
O púlpitoPormenores do púlpito (alguém me saberá indicar o nome dos santos "retratados", para além do S. Pedro?)S.PedroE, antes de sair, o baptistério e a pia baptismal

Já fora do museu uma outra vista do palácio

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domingo, 20 de abril de 2008

Visita à Ilha de Moçambique em dia cinzento! (2ª parte)

...continuando pela Ilha...
A mesquita, entrada principal.
Lava-pés e acesso ao minarete.Sala de oração
No norte da Ilha, a fortaleza de S. Sebastião....e, muito perto, a praia da Fortaleza.No outro lado, na contra-costa, a piscina (construída em 1944, está em ruínas, mas disseram-me que irá ser a breve prazo reconstruida... mas já há quatro anos diziam o mesmo!...)Ao lado da piscina, o Hotel Omuhjpiti (antiga Pousada)A meio caminho entre a fortaleza e o hotel o Monumento ao Mortos da Grande Guerra (todo feito em mármore na Metrópole, aqui foi só montá-lo)Aqui um monumento, mais recente, dedicado a Luís de Camões......e aqui dois coretos (o da esquerda, no Largo de S. Paulo)Na Ponta da Ilha (ponta oposta à da fortaleza) o Ilhéu e Forte de S. Lourenço (a maré estava tão baixa que se podia atravessar a pé!) e o Cemitério dos Cristãos Ao deixar a Ilha de Moçambique uma última foto da ponte (projecto do Eng. Edgar Cardoso, construída nos anos 60) que faz a ligação ao continente e uma foto da entrada da mesma (aqui se paga a portagem).

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